Lendas do japão


07/07/2006


Bem gente mais um Haicai pesquisado para vcs

Leiam...

Nishiyama Sôin (1605-1682)

nagamu tote
hana ni mo itashi
kubi no hone

Tradução:

Cerejeira em flor —
De tanto olhar até doem
Os ossos do pescoço.


Com o olhar continuamente voltado para o alto, a fim de admirar a florada das cerejeiras, o pescoço do poeta acaba acusando o mau-jeito. Este haicai baseia-se em um waka de Saigyô (1118-1190), publicado na antologia imperial Shinkokinshû: “nagamu tote hana ni mo itaku narinureba chiru wakare koso kanashikari kere”, que diz mais ou menos o seguinte: “De tanto contemplar, agora sou íntimo demais destas flores. Enfim, quando caem ao chão, como é triste a despedida!”. A palavra itaku (muito, demais) do waka é substituída por itashi (doer) no haicai. Ainda que trocadilhos e paródias de poemas antigos fossem comuns também na escola Teimon, é a audácia de rebaixar o clima de elegante melancolia do clássico de Saigyô até o limite da vulgaridade que caracteriza a nova escola Danrin, fundada por Sôin. Não poupando de sua irreverência nada que fosse clássico ou venerável, servia de antítese ao humor bem-comportado e moralista da escola rival Teimon. Também inovou ao retratar em seus versos as atividades diárias das pessoas comuns. É famosa a frase de Bashô: “Se não fosse por Sôin, ainda hoje estaríamos lambendo a baba de Teitoku”. O kigo é hana (flor de cerejeira) e a estação é primavera.
bjs até mais...

Escrito por Aya às 20h39
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29/06/2006


Mais uma história para vcs...
 
 
Anchin e Kiyohime

(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Há muitos e muitos anos, havia um jovem monge chamado Anchin. Todos os anos, ele fazia uma peregrinação nos Caminhos de Kumano. Certa ocasião, quando se dirigia a um templo em Kumano, começou a escurecer, então ele procurou uma casa onde pudesse passar a noite. Encontrou uma aldeia chamada Hidaka e bateu à porta da primeira casa. Foi atendido por um senhor que era o administrador da aldeia.
– O senhor poderia me dar pousada por esta noite? Estava indo para um templo, quando fui surpreendido pelo entardecer.
O homem recebeu-o cordialmente. Ele tinha uma bela filha adolescente chamada Kiyohime. Anchin elogiou a beleza da garota e disse brincando que viria buscá-la depois de três anos para se casar com ela.
Na manhã seguinte, Anchin seguiu em peregrinação.
Três anos se passaram e Anchin novamente estava fazendo a peregrinação pelos Caminhos de Kumano. Por coincidência, quando passava próximo da aldeia, o tempo fechou e começou a escurecer. Lembrando que já conhecia o administrador local, foi pedir hospedagem.
O monge já nem se lembrava da menina Kiyohime, mas, ao vê-la na casa do administrador, a lembrança voltou à mente do monge. Ao mesmo tempo, o religioso ficou muito surpreso ao constatar que ela havia se transformado em uma bela mulher.
Anchin já havia pegado no sono quando foi despertado pela presença de Kiyohime ao lado de seu leito. Ela se atirou em seus braços e disse emocionada.
– Obrigada por ter vindo me buscar. Esperei tanto por esse momento que, durante três longos anos, fiquei contando os dias à sua espera.
Foi uma noite de amores ardentes. Ao despertar, na manhã seguinte, Anchin, caiu em si. Como bonzo, estava proibido de se casar. Mas não teve coragem de contar a verdade para Kiyohime. Prometeu a ela que iria até o templo em Kumano e na volta passaria lá para assumir compromisso matrimonial com ela.
Na tarde deste dia, Anchin chegou ao templo. Como estava com a cabeça nas nuvens, Osho-san, o monge superior, logo percebeu que ele estava pensando em alguma mulher. Por isso, aconselhou-o que meditasse bastante antes de fazer alguma bobagem.
Anchin meditou muito e finalmente disse para si mesmo:
– Eu sou um bonzo. Não posso querer Kiyohime. Regressarei por outro caminho para não me encontrar com ela. E assim fez.
Enquanto isso, Kiyohime, preocupada, se perguntava:
– Por que Anchin não volta do templo?
Ela decidiu ir ao seu encontro. Perguntou para um peregrino que passava por ali se ele não havia visto um monge e fez a descrição de seu tipo físico.
– Sim, eu o vi no templo, ele tomou outro caminho para retornar a sua cidade.
– Não posso crer. Ele havia prometido que viria ao meu encontro – disse Kiyohime surpresa e quase chorando.
Ela correu muito para alcançar Anchin e chegou a vê-lo na travessia do Rio Hidaka.
– Anchin, me espere! Anchin, me espere! – ela gritou com toda a força de seus pulmões.
Ao vê-la, Anchin disse:
– Remador, rápido, zarpe o bote.
Kiyohime surpreendeu-se e ficou sem entender porque ele estava fugindo.
Ela ficou muito triste, e seu amor transformou-se em ódio.
– O rato entrou no rio e desapareceu. Somente uma serpente aquática pode acabar com um rato da água.
Kiyohime estava com tanto ódio, que mergulhou no rio para tentar atravessá-lo a nado. Pessoas que estavam na beira do rio ficaram pasmas com o gesto impensado de Kiyohime. Naquele rio, a correnteza era tanta que era impossível atravessá-lo nadando. Testemunhas contaram mais tarde que a moça atravessou o rio nadando e, quando surgiu na outra margem, havia se transformado em uma enorme serpente. Dizem que o desejo de sua mente moldou seu corpo, transformando-o numa serpente aquática. Assim que a transformação se completou, mergulhou no rio e foi nadando atrás do bote onde estava o monge fujão.
Anchin desembarcou do bote e refugiou-se no Templo Dodoji (atualmente na província de Wakayama).
– Socorro, socorro, escondam-me por favor!
Os monges do templo, mesmo sem saber de que se tratava, abaixaram um enorme e pesado sino, ocultando Anchin em seu interior.
A serpente subiu a escadaria e encontrou o sino.
Anchin rezava desesperadamente.
A serpente se enrolou no grande sino, jorrando chamas de sua enorme boca.
O sino começou a esquentar, esquentar, até que o metal avermelhou completamente e deformou-se, derretendo um dos lados. Em seu interior, com o calor, Anchin morreu assado.
Os monges de Dodoji fizeram o enterro de Anchin. Após a tragédia, encomendaram a fundição de um novo sino e determinaram que nenhuma mulher poderia se aproximar de sua plataforma.
O tempo passou, e o novo sino chegou ao Templo Dodoji. Foi preparada uma grande festa para instalação do sino com a participação da comunidade local, porém a cerimônia de intronização estava proibida para mulheres. Entretanto, durante a cerimônia, uma bela jovem veio pedir que a deixassem fazer um número de dança clássica para dar mais brilho ao grande evento. Dada a permissão, ela foi dançando em direção ao sino e, embora tivesse sido proibido, tocou nele. Empurrando-o com uma força sobrenatural e levantando um de seus lados, a jovem entrou dentro do sino.
Em seu interior, ela se transformou numa serpente gigante e, soltando fogo pela boca, fez o sino avermelhar em brasa. Assim, Kiyohime morreu como seu amado Anchin.
Dizem que, tempos depois, Anchin e Kiyohime apareceram abraçados e felizes em sonhos dos monges do Templo Dodoji. Eles teriam aparecido para desculpar-se pelos transtornos que haviam causado. Contaram que estavam felizes, pois haviam encontrado caminhos a seguir na Sutra de Lótus.

Beijinhos  e sayonara...

Escrito por Aya às 12h33
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                 OTAKUS...

Queria pedir descupas e explicar por que nunca mais bloguei...

Bem eu quase morriiiii... (Brincadeirinha...)

Mas eu estava doentinha...

Mas estou na ativa de novo e vou colocar muita coisa bem legal para vcs ...

                               Blz?!!! perdoada então... ^-^

 

Para quem não me conheçe ...


                                   

                                          Essa sou eu...

                                   Beijinhos e SAYONARA!!!

Escrito por Aya às 12h27
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Bem gente para vcs mais um Haicai...

Kitamura Kigin (1624-1705)

ichi boku to
boku boku ariku
hanami kana

Tradução:

Em morosa andança
Ao léu com meu ordenança —
Contemplação das flores.


Este haicai diz simplesmente que um homem e seu criado caminham lentamente por um bosque de cerejeiras, apreciando as flores. O interesse do poema reside na repetição de sons da versão original. A palavra boku, modernamente mais utilizada como pronome masculino da primeira pessoa do singular, tem o significado original de criado, ajudante. Por sua vez, bokuboku é uma expressão mimética (isto é, que imita ações e movimentos), que qualifica o ato de andar vagarosamente. Este tipo de brincadeira é freqüente na escola Teimon, à qual se filia Kigin. De qualquer forma, o ambiente de tranqüilidade de um passeio em meio à paisagem de flores fica bem caracterizado. Kigin iniciou-se no haicai por meio de Teishitsu, mas logo passou a aprender diretamente do mestre Teitoku, tornando-se um de seus discípulos prediletos. Publicou trabalhos teóricos e antologias. É digno de menção o fato de que, entre seus discípulos, está Matsuo Munefusa, que mais tarde mudaria seu nome para Bashô. O kigo deste haicai é hanami (contemplação das flores de cerejeira) e a estação é primavera.

Escrito por Aya às 12h24
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18/06/2006


O nome da gata

(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Há muitos e muitos anos, numa pequena cidade no interior do Japão vivia um casal de velhinhos. Eles levavam uma vida feliz e tranqüila e amavam a natureza. Certo dia quando os velhinhos visitavam um templo, o monge deu a eles uma gatinha que havia nascido sob o assoalho do pavilhão de orações.
O velhinho e a velhinha receberam a linda gatinha como quem recebe uma graça divina. Eles não tinham filhos e sentiram que podiam criar aquele pequeno animal com todo carinho e dedicação. Enquanto voltavam para casa foram discutindo qual nome dariam para a gatinha.
-Vamos dar o nome de uma pessoa forte e valente para que nossa gatinha seja sadia e corajosa - disse o velhinho.
-Sugiro que seja Musashi-bo Benkei, pois é um forte e valente guerreiro e ao mesmo tempo, um monge dedicado - respondeu a velhinha.
-Seria um nome perfeito se Benkei não fosse nome de homem. Nossa gatinha tem que ter nome de mulher.
-Que tal Tomoe Gozen, nome da mais forte mulher guerreira do Japão. Ela participou de várias batalhas cavalgando pelos campos, vestida de armadura e brandindo sua mortal naguinata (alabarda). Lutou ao lado do marido Minamoto no Yoshinaga, até tomar a capital do Japão e expulsar os poderosos de Heian-kyo (capital do antigo Japão).
-Tomoe Gozen, pode ser um nome interessante, porém é um nome muito comprido. Para chamar nossa gatinha será preciso repetir - Tomoe Gozen, Tomoe Gozen, Tomoe Gozen...ah! é comprido demais.
Assim os velhinhos continuaram pensando em qual nome colocar na gatinha, quando chegam em casa. Um vizinho que os viu chegar foi logo perguntando.
-Oh! Que linda gatinha, qual é o nome dela?
-Pois estávamos pensando exatamente em qual nome dar para ela. Tem alguma sugestão?
-Deixe-me ver...acho que Tora (tigre) combina com as manchas na pele dela.
-Pensando bem é um bom nome, pois o tigre é um animal forte e destemido.
Assim a gatinha passou a ser chamada de Tora, sendo tratada com muito carinho.
No dia seguinte o casal brincava com a gatinha chamando Tora pra cá e Tora pra lá. Nisso a mulher do vizinho que observava do portão perguntou:
-Pôr que deram o nome de Tora para um bichinho tão delicado?
-A sugestão foi de seu marido, e nós aceitamos porque queremos que nossa gatinha cresça muito forte.
-Ah! Meu marido não sabe nada. O animal mais forte que existe é o dragão. Se lutarem dentro d’água, o dragão vence o tigre facilmente.
O casal concluiu que a vizinha tinha razão e mudaram o nome da gatinha para Dragão.
Alguns dias depois, passou por ali um andarilho e comentou:
-É a primeira vez que ouço uma gatinha sendo chamada de Ryu (dragão). Por que puseram um nome tão diferente para uma gatinha?
Mais uma vez o velhinho explicou que era um nome sugestivo para a gatinha crescer forte.
-Realmente o dragão é um animal muito forte, porém, todos nós sabemos que em dia de grande tempestade, o dragão sobe nadando na chuva e penetra numa nuvem para chegar ao céu. Portanto, se não fosse a nuvem ele jamais chegaria ao céu. Isso significa que a nuvem é mais forte que o dragão.
O casal pensou, pensou e concluíram que o andarilho tinha razão. Assim mudaram o nome da gatinha para Kumo (nuvem). O andarilho seguiu sua caminhada e chegando ao castelo mais próximo comentou o que tinha acontecido.
Na época havia na corte muitos debates culturais. Os intelectuais discutiam incansavelmente durante anos à fio, qual era a estação do ano mais bonita: a primavera ou o outono. Também faziam debates para saber qual a flor mais bonita: a cerejeira (Sakura) ou a ameixeira (Ume). Houve então, grande interesse em sugerir o nome da gatinha pelos intelectuais do castelo. Um deles foi até o vilarejo e sugeriu ao casal que mudasse o nome da gatinha que agora chamava Kumo (nuvem), para Kaze (vento).
-Por que Kaze, perguntou o velhinho.
-Ora, pense bem. Um sopro de vento e a nuvem dissipa-se toda. Por isso é melhor dar o nome de Kaze (vento).
O bom velhinho pensou um pouco e concluiu que o cortesão tinha razão. Assim o nome da gatinha foi mudado para Kaze.
Nisso chegou outro intelectual da corte e questionou:
-Ora Kaze não me parece forte suficiente. Estive observando no último vendaval que o vento destelhou muitas casas, mas não conseguiu derrubar as paredes. Isso significa que Kabe (parede) é mais forte que Kaze (vento).
O argumento pareceu muito convincente ao velhinho e mais uma vez o nome da gatinha foi mudado para Kabe (parede).
-Acho que Kabe será seu nome definitivo, disse o velhinho olhando satisfeito para a gatinha.
Nisso a velhinha fez uma observação:
-Parede não é tão forte assim. Veja ali aquele buraco. Foi o Nezumi (rato) quem fez.
-Então precisamos mudar o nome dela para Nezumi.
-Gato com nome de rato não fica muito bem, e rato tem medo de Neko (gato)...
-Realmente, o gato é mais forte que o rato. Então vamos chama-la de Gatinha. E assim passaram a chamar a gatinha de Gatinha e parece que foi uma medida acertada, pois ninguém mais deu palpite no nome dela.

Beijinhhos... sayonara!

Escrito por Aya às 22h28
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23/05/2006


Leiam...

Superstições...

Relativas à alimentação
- Se deixar sobrar arroz no prato, ficará cego. Se dormir logo após a refeição, vai se transformar em um bovino (por culto aos cereais)
- Se os talos ou as folhas de chá flutuarem verticalmente, terá sorte (normalmente isso acontece com o chá de qualidade inferior / hoje o chá se prepara com saquinhos)
- Não se pode ingerir ao mesmo tempo: enguia e ameixa curtida, tubarão e ameixa curtida, bacalhau e melancia
- Nas sementes de ameixas curtidas aloja-se o Espírito Divino (pelo fato de as sementes de ameixa conterem uma toxina chamada cianogênio - para proteger as crianças)

 
Superstições brasileiras desconhecidas no Japão
- Se colocar a bolsa no chão, não terá sorte com dinheiro a vida inteira
- Se ficar com o último doce (ou outra coisa) do prato, não se casará (no Japão isso dá sorte)
- Se passar debaixo da escada, não crescerá
- Quebrar um espelho dá sete anos de infelicidade
- Décimo terceiro andar dá azar. Por isso não existe este andar nos hospitais. No Japão é tido como agourento o número 42 (os números shi e ni juntos, significam “morrer”)
Ficar demasiadamente preso às superstições não é bom. O importante é que cada um viva de forma correta. Evidentemente, com as devidas proteções de Deus...

Escrito por Aya às 22h22
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O Japão ontem e hoje
O país passou por profundas transformações internas que aguçaram sua visão sobre o mundo

Tradição: cerimônia xintô - Modernidade: Ginza, bairro com estabelecimentos de luxo

Tradição: teatro Kabuki - Modernidade: robôs

(Texto: Daniela Karasawa/NB | Fotos: Reuters)

Uma sociedade que encontrou na cultura chinesa a oportunidade de criar as bases lingüísticas, iconográficas e estruturais para sua própria cultura. Esse é o Japão – que se transformou em um país importador das influências do chamado Continente (China) em sua totalidade, incorporando conceitos arquitetônicos, religiosos e principalmente adotando a escrita iconográfica e ideológica – o kanji. E, desse momento agregador de cultura, os japoneses criaram seus próprios conceitos e utilizações apropriadas para a sua realidade. Na Era Heian (794-1185), passaram a ver a importação como algo não mais necessário, pois tinham adquirido indepedência intelectual, rumando para um segundo momento de pensar sua própria sociedade. Surgiu na escrita japonesa o kana – escrita cursiva e derivada dos ideogramas chineses, dando origem ao hiragana e, posteriormente, ao katakana, os silabários que são utilizados até hoje para termos japoneses e estrangeiros e em outros contextos lingüísticos. O olhar crítico sobre a importação das tendências chinesas foi adquirido com o passar dos séculos e da evolução cultural dos próprios japoneses que viram em sua autonomia a nação constituída e com raízes próprias.

Com o poderio dos guerreiros armados, conhecidos como samurais, que de camponeses que tinham em suas ferramentas de trabalho a defesa de suas terras passaram a exigir sua indepedência de um governo que julgavam inapto – então, o país passou por um longo período de militarização e recebeu em seus portos as influências de inúmeros outros países, como: Portugal, Holanda e Estados Unidos. A cultura japonesa passou por um novo processo de aquisição de culturas e influências de fora. Além do Budismo e do Confucionismo, trazidos da China, o Cristianismo foi acolhido por muitos japoneses, até a decisão de banir os jesuítas das terras e de sua influência política.

O Japão ampliou sua visão fora de seus limites territoriais, tentando conquistar outros domínios, ao mesmo tempo em que fechou parcialmente seus portos para a entrada das idéias de outras nações, mantendo contato estritamente necessário para manter-se informado quanto ao que acontecia pelo mundo. No entanto, o processo de ocidentalização tornou-se evidente, e o Japão passou pelos choques culturais que envolviam desde os meios de transporte, como a construção de linhas férreas, à aquisição de vestimentas ocidentais, como ternos e vestidos.

Refazendo a nação
Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, o Japão refez seu projeto de nação, com metas de superação e reconstrução. No entanto, os impactos provocados por suas transições no passado e trazidos por sua recente derrota transformaram o país que absorvia as influências do Ocidente. O Japão passou de influenciado a influenciador, exportando sua cultura pop para a Ásia e, a partir de meados da década de 1960, para os Estados Unidos e a Europa.

Hoje, o Japão não é conhecido apenas por suas histórias a respeito de samurais e gueixas. O país influencia gerações inteiras de artistas de vários setores da sociedade mundial. A visão mundial a respeito do Japão foi modificada ao longo das décadas pós-Segunda Guerra: passou de país milenar e guerreiro a gigante da tecnologia e hoje ainda agrega o conceito de influência pop em quadrinhos, cinema e entretenimento.

bem galera por enquanto é isso...

 

Escrito por Aya às 22h16
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17/05/2006


Mais uma lenda para vcs...
 
Os ratos sumotoris

Texto e desenhos: Claudio Seto

Há muitos e muitos anos, no Japão, vivia um casal de velhinhos no sopé de uma montanha. Por serem pobres, raramente os velhinhos iam até a cidade fazer compras ou tomar banho em onsen (termas de água quente). O velhinho tinha uma pequena horta e cultivava verduras para o consumo do casal, e a velhinha cuidava dos afazeres domésticos.
Um dia, quando o velhinho se embrenhou na mata para apanhar lenhas, ouviu um ruído diferente entre as árvores. Espiou em silêncio detrás de uma árvore e viu dois ratos lutando sumô.
Foram várias rodadas, e o rato maior jogava sempre o rato menor para fora do ringue circular. Observando atentamente o rato menor, o velhinho reconheceu que era o ratinho que vivia em sua casa.
Assim que voltou para sua morada, o velhinho contou o que tinha assistido.
– Então são ratos sumotori (lutadores de sumô)? – perguntou a velhinha.
– Não, o rato grande e forte parece ser um choja nezumi (rato milionário), e o fracote é o rato que vive em nossa casa – respondeu o velhinho.
– Sinto-me culpada. O ratinho comendo migalhas de uma casa de pobre só pode ser fraco mesmo – observou a velhinha.
– Então vamos socar o que nos resta do arroz glutinoso (motigome) e fazer moti (bolinho de arroz) para ele ficar forte!
– Boa idéia!
Assim, lavaram o arroz glutinoso no primeiro dia do ano novo, cozinharam-no e colocaram-no para pilar. O velhinho batia com um pilão em forma de enorme martelo, enquanto a velhinha virava habilmente a massa de arroz socado para não grudar na cova do almofariz. Depois que a massa ficou bastante glutinosa, a velhinha foi tirando pedaços e girando na palma da mão. Fez vários bolinhos e os colocou numa bandeja comprida de madeira.
– Ratinho de casa, coma bastante moti e adquira força para derrotar o rato grandão – dizendo isso, o velhinho colocou a bandeja no cantinho da casa, perto de um buraco na parede.
Foi um verdadeiro banquete para o ratinho, que comeu a noite inteira e só parou para descansar para a luta.
Durante o dia, no meio da mata, as lutas desenrolaram-se da seguinte maneira:
No primeiro round, o rato grande empurrou o pequeno para fora do ringue circular.
No segundo, o rato pequeno jogou o grande para fora do ringue.
No terceiro round, o rato grande levantou o pequeno e o arremessou para fora do círculo.
No quarto round, o rato pequeno empurrou o grandão para fora do ringue. Assistindo à luta escondido, o velhinho sorriu satisfeito.
Com o empate no sumô, o rato milionário perguntou ao rato pequeno:
– Como foi que você adquiriu tanta força de um dia para outro?
– Ah, eu comi bastante moti, feitos carinhosamente por meu mestre e sua esposa – respondeu o pequeno.
– Eu gostaria de comer esses bolinhos de arroz na sua casa.
– Meu mestre é muito pobre, mas, se você trouxer dinheiro para ele comprar o arroz, acho que ele vai fazer para você também.
Quando o velho chegou em casa, a velha perguntou:
– Como foi a luta de sumô hoje?
– Ah, foi ótima, o nosso ratinho está tão forte quanto o grandão.
– Fico feliz! Foi bom ajudá-lo fazendo bolinhos de arroz.
– Bem, ouvi o ratão dizendo que gostaria de provar nosso moti.
– Só sobrou um pouquinho de arroz para comermos nesse ano novo, pois o que socamos ontem nós demos para o ratinho.
– Podemos ficar sem; vamos socar para os ratos.
Nessa noite, o rato grande veio visitar o rato pequeno trazendo um saco grande nas costas.
– Esses bolinhos de arroz glutinosos foram feitos pelo meu mestre e sua amável esposa. Por favor, sirva-se.
– Oh! Realmente são deliciosos. Eu nunca comi bolinhos tão gostosos. Dizem os japoneses que bolinhos feitos com carinho dão muita sorte para quem os come.
Os dois ratinhos comeram e comeram até ficarem com a barriga estufada, como os lutadores de sumô. A velhinha bondosa costurou uma tanga vermelha para cada um usar na luta.
Na manhã seguinte, quando o casal acordou, encontrou um saco cheio de dinheiro no armário. Os velhinhos tiveram um início de ano muito feliz fazendo compras na cidade e tomando banho diariamente nas termas de água quente.

Escrito por Aya às 20h29
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Vejam...

HAICAI

Matsue Shigeyori (1602–1680)

yaa shibaraku
hana ni tai shite
kane tsuku koto

Tradução:

Espere um pouquinho
Em respeito às flores
Antes de tocar o sino.


Neste haicai, ocorre o aproveitamento de dois momentos da literatura clássica: um é a peça Nô Encontro no templo Miidera, de onde se aproveita a fala: “Espera um momento. Por que tocas este sino como louca?”. O outro é um tanka de autoria de Nôin, presente na antologia imperial Shin-kokinshû (1205): “Na primavera,/ ao entardecer,/ numa aldeia entre as montanhas,/ as flores vêm ao chão/ ao sino do pôr-do-sol”. Com bom humor, o haicai pede que se suspenda o toque do sino enquanto dura a florada tão delicada das cerejeiras, cujas flores poderiam desabar com as vibrações. O extremo coloquialismo do primeiro verso é uma característica que vai encontrar eco na futura escola Danrin, de Sôin, de quem Shigeyori foi amigo e professor. Shigeyori formou, junto com Ryûho, Teishitsu, Kigin e outros o grupo dos sete discípulos mais proeminentes de Teitoku e da escola Teimon. Entretanto, por seu caráter independente e obstinado, acabou por distanciar-se do mestre. Sua relação com Sôin, fundador da escola Danrin, estende uma ponte entre as duas principais escolas pré-Bashô. O kigo é flor (primavera).

Espero q tenham gostado... valeu!!!

Escrito por Aya às 20h23
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05/05/2006



Kitsune tokoya

No folclore japonês, a raposa e o texugo eram considerados ilusionistas e viviam pregando peças. Conta uma antiga lenda que, nos arredores de uma pequena cidade, vivia uma família de raposas. Elas eram famosas pelo modo original de iludir as pessoas. Muito criativas, ninguém conseguia escapar de suas artimanhas.
Uma dessas raposas transformava-se em um homem barbeiro e deixava careca todos os clientes que o procuravam para fazer penteados ou aparar os cabelos. Assim, todos os homens da cidade ficaram de cabeças raspadas. Por isso, o animal encantado acabou ganhando o apelido de kitsune tokoya, ou seja, “raposa barbeira”.
Certo dia, houve, na casa do conselheiro da cidade, uma reunião para por fim àquela situação. Afinal, numa época em que os penteados estavam na moda para homens em todo o Japão, não era admissível que só aqueles da pequena cidade não pudessem andar de cabeça erguida. Apesar de haver unanimidade na decisão de fazer a raposa parar com a brincadeira, ninguém tinha sugestão de como fazer isso. Então, descobriram que, entre todos os homens da cidade, havia um que ainda mantinha seu belo penteado. Era um samurai jovem e esperto chamado Saizoemon. Diziam que seu único defeito era ser convencido.
Assim, o conselho de cidadãos resolveu chamá-lo para saber como havia conseguido safar-se da ardilosa brincadeira da raposa barbeira.
Chegando ao local da reunião, o samurai foi logo dizendo:
– Sabem por que se deixaram enganar por uma raposa? Simples, porque vocês são tolos. Sendo assim, não adianta ficar discutindo o dia todo, porque não vão chegar a conclusão alguma. No entanto, eu sei como dar um jeito. Então, o que estão esperando? Admitam a incompetência e me implorem para castigá-la.
Apesar de a arrogância irritar os presentes, ninguém viu outra alternativa senão pedir humildemente para que Saizoemon desse um jeito na atrevida raposa.
O samurai pegou uma lança e foi para o bosque, onde todos diziam que havia esconderijos de raposas. Quando caminhava por uma trilha entre árvores de pinho, cruzou com uma bela garota de olhar malicioso, que o cumprimentou:
– Boa tarde, Saizoemon, está passeando pelo bosque?
O samurai logo desconfiou que era um truque ilusionista da raposa e atacou com sua afiada lança. A moça, assustada, esquivou-se do golpe deixando aparecer uma calda branca.
– Eu tinha razão, sua raposa safada. Agora, você não vai escapar de meu golpe – assim dizendo, atacou a raposa, que voltou ao seu formato e fugiu apavorada.
Vitorioso na primeira investida, ele ficou mais convencido de sua esperteza e foi caminhando mata adentro.
Numa clareira do bosque, viu outra mulher que parecia estar descansando. Logo desconfiou de que se tratava de outra raposa.
Assim que a mulher saiu andando, ele a seguiu, escondendo-se atrás das árvores enquanto observava-a.
Num momento, a mulher agachou e juntou um punhado de capim seco. Dobrou os capins e, com eles, fez um boneco.
Saizoemon segurou a respiração e observou atentamente.
A mulher esticou os braços levantando o boneco e assoprou com força. Como num passe de magia, o boneco ganhou vida, transformando-se num bebê humano. Embora espantado, o samurai não tinha mais dúvida de que se tratava de uma raposa.
Com o bebê no colo, a mulher entrou na casa de um lenhador e foi recebida por uma velhinha com grande alegria.
– Nossa – pensou Saizoemon – a raposa está tentando enganar a pobre velhinha. Preciso agir imediatamente. Assim dizendo, adentrou a casa derrubando a porta com o pé. Encostando a lança no pescoço da mulher, ele disse:
– Cuidado, minha senhora, esta raposa está tentando lhe enganar. Este bebê é um punhado de capim seco, vi com meus próprios olhos quando ela fez a magia – dizendo isso, o samurai apanhou uma corda e amarrou a mulher. A velhinha, que não estava entendendo nada, protestou:
– Senhor samurai, o que está fazendo com a minha nora, o senhor é um maluco?
– Santa ignorância a sua, minha senhora! Será que não percebe que esta é uma raposa astuta?! Fique olhando calada que vou provar o que estou dizendo.
– Pare, senhor, está completamente enganado. Meu neto não é um punhado de palha, veja é uma criança de carne e osso.
– Minha senhora, quando uma raposa se faz passar por gente, para quebrar o encanto, é necessário fazer fumaça com folha de cedro. Assim que a fumaça encobrir a raposa encantada, logo aparece um rabo branco e, depois, ela volta ao seu formato original.
Assim dizendo, Saizoemon arrastou a mulher amarrada para fora da casa, fez um monte de folhas de cedro e botou fogo para fazer fumaça.
A velhinha gritava desesperada para que Saizoemon parasse com aquele ato bárbaro.
– Por favor, pare com isso, o senhor vai matar a minha nora, a mãe de meu querido netinho.
Sem se importar com as súplicas da velha senhora, o samurai deixou a mulher coberta de fumaças, o que provocou muitas tosses.
– Não se preocupe, senhora, assim que quebrar o encanto, seu netinho vai voltar a ser um simples punhado de capim.
Por mais que a fumaça envolvesse a mulher, não aparecia nenhum rabo de raposa e ela continuava tossindo desesperadamente.
– Pare com isso, ela está morrendo, não está vendo o mal que está fazendo?
Saizoemon não parava. Estava convicto que aquela era uma raposa encantada. De repente, a mulher caiu e ficou esticada no chão.
– Minha nora morreu! Você matou a minha nora! Meu netinho vai ficar órfão! Quanta crueldade!
Saizoemon levou um susto. Balançou e desamarrou a mulher desesperadamente. Todas as tentativas para reanimá-la pareciam inúteis. O samurai foi tomado de um grande arrependimento e, prostrado no chão, reconheceu seu engano.
– Matei essa pobre mulher por engano. Que erro terrível cometi! Não sou digno de continuar sendo um samurai.
Nesse exato instante, apareceu um monge no local.
– O que aconteceu por aqui? Parece uma tragédia.
O samurai contou todo o seu infortúnio dizendo quanto estava pesaroso pelo imperdoável engano.
– Sua alma jamais terá paz enquanto não purificar seu espírito. A alma da pobre mulher, morta por engano, inconformada por tamanha injustiça, não terá paz. Vai se tornar, com certeza, uma alma penada. É necessário que reze muito, mas muito mesmo, por ela. Raspe sua cabeça e torne-se um monge, assim poderá dedicar muitas orações a sua pobre alma.
Saizoemon concordou que essa era melhor solução, já que era indigno de continuar sendo um samurai. Pediu, então, ao sacerdote que lhe raspasse a cabeça e o ordenasse monge.
Atendendo à vontade do samurai arrependido, o monge raspou a cabeça de Saizoemon. Quando terminou de raspar, o monge desapareceu num passe de mágica. Não só ele como a casa, o bebê, a velhinha e a mulher que parecia morta.
Nisso, o povo da cidade encontrou Saizoemon sentado sobre uma pedra com a cabeça raspada.
– Vejam, a raposa barbeira conseguiu enganar Saizoemon também!
A raposa conseguiu iludir Saizoemon seguindo todos os seus passos. Assim, o samurai tornou-se alvo de gozação de todos na cidade, até que se tornou um cidadão humilde.

Bem gente é isso ai,  beijos... por favor divulgem esse blog!

Escrito por Aya às 20h34
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17/04/2006


Bem gente pesquisei outro haicai para vcs... espero q gostem!

Matsunaga Teitoku (1571–1653)

hana yori mo
dango ya arite
kaeru kari

Tradução:

Melhor do que flores
É comer bolinhos –
Partem os gansos selvagens.


No outono, gansos selvagens migram para o Japão, refugiando-se do inverno rigoroso da Sibéria. Quando chega a primavera, eles retornam às terras do norte, onde construirão seus ninhos e criarão seus filhotes. Esta é a época das cerejeiras, mas as aves parecem alheias à beleza das flores, talvez porque esperem encontrar dango (bolinhos doces) em seu destino. Este haicai pode ser considerado como a paródia de um tanka de autoria de Ise, contido na antologia imperial Kokinshû (905): “Na primavera,/ Partindo em meio à névoa,/ Os gansos selvagens/ Aprenderão a viver/ Numa terra sem flores”. O tom melancólico do poema é quebrado pela lembrança de um ditado popular, “hana yori dango”, literalmente “bolinhos são melhores do que flores”. Em português, o ditado correspondente é “beleza não se põe à mesa”, isto é, as belas flores da cerejeira enchem os olhos, mas não a barriga. Tanto o uso de ditados como a paródia de poemas antigos são recursos usuais da escola Teimon, de Teitoku, que procura surpreender os leitores através de brincadeiras lingüísticas. Há dois kigo de primavera neste haicai: hana (flores de cerejeira) e kaeru kari (partida dos gansos selvagens).

Muitos beijinhos e sayonara!

Escrito por Aya às 19h28
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19/03/2006


Pesquisei para vcs outro Haicai espero que gostem é um pouco da história dessa foma de poesia muito popular no Japão...

Arakida Moritake (1473–1549)

rakka eda ni
kaeru to mireba
kochô kana

Tradução:

Uma flor que cai –
Ao vê-la tornar ao galho,
Uma borboleta!


Este haicai tem dois kigos referentes à primavera: flor caída e borboleta. Entretanto, como, dentro dos versos, apenas a palavra borboleta tem existência real, é ela que caracteriza a estação do poema. Nele, uma flor (provavelmente de cerejeira) desprende-se do galho e desce placidamente em direção ao chão, até que, talvez soprada pelo vento, passa a subir e, inesperadamente, volta ao mesmo galho de onde saiu. Observando melhor, descobre-se que se trata, na verdade, de uma borboleta. Este haicai poderia ser entendido como o resultado de um exercício de observação atenta. Entretanto, lembramo-nos de uma frase da famosa peça de teatro Nô de Zeami (1363-1443), Yoshitsune em Yashima, que diz: “Uma flor caída não retorna ao galho”. Moritake simplesmente inverteu o sentido dessas palavras, originando daí a graça do poema. Trata-se de um haicai muito famoso no Ocidente, talvez ombreando em popularidade com o haicai da rã, mas cujo valor poético tem sido discutido. Para seus críticos, trata-se de um poema de humor calculado e pouco conteúdo que, ainda que seja uma descrição perfeita, é incapaz de provocar emoção, ou seja, de evocar poesia.
Beijinhos...SAYONARA

Escrito por Aya às 18h57
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12/03/2006


Arakida Moritake (1473–1549)

tobi-ume ya
karogaroshiku mo
kami no haru

Tradução:

Voa o papel
Junto às flores de ameixeira –
Primavera dos deuses.

    Ao vislumbrar uma ameixeira no santuário de Ise, Moritake, ele mesmo sacerdote xintoísta, teria se lembrado da curiosa lenda da Ameixeira Voadora (tobi-ume).

   Sugawara-no-Michizane (845–903), intelectual e político, foi desterrado por causa de falsas acusações.

   Havia, no jardim de sua casa, uma ameixeira que ele muito amava e à qual dedicou um poema de despedida:

 “Ao soprar o vento leste,/ Exalem seu perfume,/ Oh, flores da ameixeira!/ Mesmo longe de seu mestre,/ Não se esqueçam da primavera.”  Diz a lenda que a ameixeira voou de Quioto até Dazaifu (atual Fukuoka) para reencontrar seu dono.

   No haicai de Moritake, a expressão “primavera dos deuses” (kami no haru) denota o início da estação em um santuário xintoísta. Também há o recurso ao trocadilho, no qual a palavra kami pode ser lida como “deus” ou “papel”.

   Assim, a imagem da ameixeira que voa conduz à idéia da leveza (karogaroshiku) das folhas de papel (kami) que o vento traz junto com as flores, ou à leveza da própria primavera que chega ao santuário por obra dos deuses.

   O haicai sustenta-se por este trocadilho, servindo como um modelo das técnicas da época.

Espero que tenham gostado... beijinhos.

Escrito por Aya às 13h45
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05/03/2006


O Fantasma do poço

O Fantasma do Poço

O fantasma do poço está entre os dez casos sobrenaturais mais conhecidos no Japão. Esse acontecimento teria ocorrido no século 17 na mansão de um senhor feudal com o nome de Oyama Tessan. Esse rico feudatário tinha uma bela criada chamada Okiku. Uma garota de família humilde que constantemente sofria assédio sexual de seu patrão,
mas sempre esquivava e mantinha-se longe dos braços de seu amo.
A constante recusa da garota levou Oyama a arquitetar uma cilada para que ela se entregasse a ele. Assim, o ricaço entregou um saquinho de moedas à Okiku, dizendo que havia ali dez moedas de ouro, e que ela guardasse cuidadosamente, pois ele teria que se ausentar da cidade durante quatro dias. A garota, ingenuamente, guardou o saquinho sem saber que na realidade só havia nove moedas.
Após breve ausência, o feudatário voltou ao seu palacete e pediu que a jovem devolvesse as dez moedas, uma por uma. A garota abriu o saquinho e foi contando uma por uma e ficou desesperada ao constatar que só havia nove moedas. Contou várias vezes para ver se não havia se enganado, mas infelizmente teve que reconhecer que estava faltando uma moeda.
Tessan mostrou-se muito furioso com o desaparecimento da moeda. Acusou-a de ter ficado com ela e exigiu sua devolução. Okiku não sabia o que fazer, pois sendo uma simples criada, mesmo que trabalhasse a vida inteira, jamais conseguiria uma moeda de ouro. Então, desesperada, correu para o jardim chorando. O ricaço a seguiu e disse que se ela fosse “boazinha” com ele, iria perdoá-la e a moeda seria esquecida.
Impulsivamente, ela respondeu que não havia feito nada de errado, e que preferia morrer a entregar-se a ele.
Furioso com a recusa, o velho ricaço agarrou a jovem e atirou-a no fundo do poço existente no jardim dizendo:
- Se prefere morrer, vou satisfazer o seu desejo.
Quando passou a fúria, Tessan voltou ao poço e chamou várias vezes o nome dela, mas não houve resposta. Como o poço era fundo, certamente ela morreu afogada.
Ninguém ficou sabendo do paradeiro dela. Chegaram a comentar que ela era uma ingrata, pois sem agradecer o emprego que o patrão tinha lhe dado, foi embora sem dizer uma palavra para a cidadezinha do interior de onde viera. Como ninguém sabia de sua morte, não houve culto religioso dos 49 dias em sua memória. Depois desse dia, todas as noites, o espectro de Okiku aparecia sobre o poço. Ela tinha aparência triste e a voz de extrema amargura. Repetia o gesto de tirar moeda do saquinho e contar uma por uma: - Um..., dois...., três..., quatro...., quando chegava no nove, a aparição dava um suspiro aflito e desaparecia.
Tessan, que assistiu àquela melancólica cena várias vezes, ficou desesperado. Não conseguia mais dormir, pois cada vez que se deitava para repousar, ouvia a triste voz contando: Um..., dois..., três..., até o nove.
O ricaço confessou o crime e foi preso pelas autoridades. Na prisão, acabou enlouquecendo, pois não parava de ouvir a voz contando as moedas.
A propriedade tornou-se uma mansão abandonada e com fama de mal-assombrada. Tempos depois o terreno foi comprado por outro rico senhor. Aflito com o sofrimento da aparição, o novo proprietário solicitou um culto budista em memória a Okiku. Porém de nada adiantou, pois o fantasma continuou aparecendo e contando com amargura de um a nove. Persistente, o novo proprietário pediu para um monge de outra seita que rezasse pela alma de Okiku. Assim, passaram vários religiosos e muitos cultos foram realizados junto ao poço, e de nada adiantou.
Certo dia apareceu por lá o mago Shamon da seita Zenchi. Sua aparência desleixada não inspirou muita confiança do proprietário, que já estava prestes a abandonar aquele terreno. Em todo caso, como já haviam passado vários religiosos por lá, mais um não faria diferença, por isso pediu ajuda ao mago Shamon.
Em vez de fazer um culto religioso próximo do poço, Shamon ficou escondido à noite entre as folhagens do jardim. O fantasma apareceu e contou as moedas até o nove. E nisso Shamon gritou: - Dez!
Dizem que o fantasma deu um suspiro aliviado e nunca mais apareceu.

 

Essa é mais um lenda do Japão espero q tenham gostado, colocarei mais a seguir , SAYONARA!

 

Escrito por Aya às 17h52
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01/03/2006


O Fantasma de OSONO

  Osono era a filha de um comerciante provinciano e rico. O pai dela queria que ela tivesse uma educação refinada e mandou-a para Kyoto - que na época era capital do Japão – para aprender as artes praticadas na corte como poesia, danças clássicas e cerimônia do chá.
Anos depois, ela retornou para sua terra natal e se casou com o filho de um amigo de sua família, que também era comerciante.
O casal teve um menino, mas a vida conjugal durou pouco, pois Osono morreu no quarto ano de casada. Pouco tempo depois de sua morte, seu filho disse ter visto a mãe no quarto dela. Isso causou um grande desconforto na família, pois naquela época não existia luz elétrica, e a fraca iluminação conseguida, com lamparinas à óleo, só aumentava o clima sobrenatural. Embora à princípio tivessem dito que era coisa da imaginação de criança, o assunto tomou vulto quando outras pessoas da família depararam com o fantasma de Osono, sempre olhando para uma cômoda cheia de gavetas, onde estavam guardadas as roupas dela.
Os familiares começaram a discutir, tentando entender por que razão o fantasma de Osono aparecia junto à cômoda e concluíram que, por ter morrido tão jovem, seu espírito ainda tinha apego pelos belos quimonos de seda.
Acataram então a sugestão da mãe, que aconselhava a levar as roupas de Osano a um santuário e realizar um culto. Em seguida, deixariam as vestes guardadas num recinto sagrado. Assim o fantasma dela entenderia que suas roupas não seriam vendidas para outras pessoas, e seu espírito descansaria em paz.
A cerimônia religiosa foi realizada com grande pompa, porque, a pedido do rico comerciante, conhecidos monges da região vieram celebrar o culto para apaziguar o espírito de Osono. As roupas dela foram depositadas embaixo do altar. E todos se sentiram aliviados, pois com a presença do fantasma em casa, embora silenciosa, ninguém consegui dormir.
Porém, o clima de sossego não durou por mais que um dia. O fantasma voltou a aparecer na noite seguinte, e a aparição torno-se constante.
Então o monge de um templo zen budista, veio para a casa do comerciante, novamente sob sugestão da mãe de Osono. O religioso passou a noite no quarto, e às altas horas da noite, o fantasma apareceu do nada e ficou contemplando fixamente a cômoda. Para mostrar à Osono que suas roupas já não estavam mais lá, o monge abriu a primeira gaveta e mostrou que estava vazia.
O fantasma de Osono continuou a olhar tristemente a mobília. O monge foi abrindo as gavetas uma por uma até a última mas o fantasma continuou olhando fixamente para a cômoda, sem demonstrar nenhuma surpresa.
O monge perguntou o que ela desejara e se estava precisando de ajuda, porém a aparição sem nada responder continuou olhando para a peça de guardar roupas. Então o monge teve uma intuição e levantou os papéis de forro das gavetas, e na última gaveta achou uma carta que alí estava escondida. A carta era endereçada à Osono, trazendo escrito seu nome de solteira.
A aparição acenou com a cabeça e se curvou em gesto de agradecimento quando o monge disse que ele levaria à missiva ao templo e lá queimaria. Portanto ninguém ia ler o conteúdo.
Era uma carta de amor. Osono tinha recebido durante o período em que esteve em Quioto estudando artes. O conteúdo da carta nunca foi revelado a ninguém, e a família também não ficou sabendo quem a havia enviado.
A história mostra um fantasma diferente. Um espírito angustiado que não conseguia descansar em paz por causa de um segredo.
Desde que a carta foi queimada, o fantasma de Osono nunca mais apareceu.

 

 

Escrito por Aya às 22h01
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BRASIL, Nordeste, MACEIO, Mulher, de 20 a 25 anos, Adoro desenhar, Cantar e TUDO do Japão..